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Crítica “O Homem De La Mancha” – Revista Stravaganza


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Pode até não desembrulhar algo mais profundo, como o estudo da opressão, a crítica social e a sátira ao ideal do heroísmo, temas presentes no cultuado romance do escritor espanhol Miguel de Cervantes. No entanto, o texto relido por Dale Wasserman, com músicas de Mitch Leigh e letras de Joe Darion, honra à altura o papel de entretenimento eficaz. E a adaptação brasileira, subscrita pelo diretor Miguel Falabella, comete ainda uma ousadia. No lugar de ambientar a ação na Inquisição espanhola do século XV, cenário original da obra, ele transferiu os eventos para um manicômio brasileiro no final da década de 1930. A peculiar mudança ampliou as perspectivas e impressões de uma montagem que se desenvolve de forma vigorosa, eficiente e criativa. Se na matriz um presidiário da Inquisição comanda os outros reclusos, nesta versão é a figura do Governador quem organiza a rotina dos demais internos. Trata-se de um personagem assumidamente inspirado no autodidata artista plástico sergipano Bispo do Rosário (1909-1989), que passou os últimos cinqüenta anos da sua vida internado no hospício da Praia Vermelha e, mais tarde, na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

Na trama, um paciente que se apresenta como Miguel de Cervantes, poeta, ator de teatro e coletor de impostos, chega ao manicômio, onde é recepcionado pelo temido Governador, um maluco que manda até nos médicos da instituição. Ingênuo, sonhador e boa gente, o novo hóspede está acompanhado de seu criado, sujeito pouco inteligente, porém mais lúcido que o patrão. Logo no primeiro dia seus pertences são roubados, incluindo um importante manuscrito. Um julgamento é instaurado para definir se ele merece ter o texto de volta. No intuito de convencer a autoridade máxima do local, o escritor leva a cabo a missão de encenar a história de um cavaleiro errante chamado Dom Quixote, um nobre decadente que, ao lado do fiel escudeiro Sancho Pança, corre o mundo disposto a corrigir os erros, combater o mal e praticar o bem. Para concretizar a peça teatral, recruta como atores os próprios pacientes, que dão vida a diversos personagens e embalam uma tresloucada aventura marcada por moinhos de vento, ciganos e uma taberna freqüentada por pessoas nem um pouco confiáveis.

Falabella concebeu um musical movimentado, embebido de teatralidade e de vivacidade transbordante, que mantém o interesse do espectador do início ao fim. Ele acertou ainda na composição do numeroso elenco, com intérpretes adequados aos diferentes personagens do enredo.

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Com silhueta esguia e estudada fragilidade física, Cleto Baccic denota desenvoltura técnica e comovente sinceridade no duplo papel de Cervantes e Dom Quixote. Em um de seus bons momentos, exibe domínio da voz na interpretação da envolvente O Sonho Impossível.

Na condição de um dos nomes mais expressivos dos musicais brasileiros, a bela Sara Sarres interpreta Aldonza, a amarga prostituta que o anti-herói enxerga como donzela respeitável e virtuosa. Centrada, a atriz expressa a dor e a raiva da mulher importunada pelos homens e entrega seus reconhecidos recursos vocais na entoação de canções de partitura difícil. Ator experiente, Jorge Maya concede leveza e versatilidade ao seu Sancho Pança, proporcionando diversos instantes de alívio cômico. Guilherme Sant’Anna incute força e autoridade na pele do Governador. Com desembaraço e entusiasmo, Carlos Capeletti concede dignidade ao papel do Duque, mesmo em poucas aparições. Ivan Parente, como o Padre, evidencia aqui sua aptidão e afinação para cantar, regalias que não pode oferecer no musical A Madrinha Embriagada, seu trabalho mais recente. Referência no gênero, a atriz Kiara Sasso irradia calor na interpretação de Antonia, a vivaz sobrinha do protagonista. Os talentosos Fred Silveira (Pedro e substituto para viver Dom.Quixote), Ivanna Domenyco (criada), Edgar Bustamante (hospedeiro), Frederico Reuter (Sansão Carrasco) e Arízio Magalhães (Barbeiro) apoderam-se de suas respectivas criações e ajudam a cristalizar o viço e frescor do espetáculo.

A equipe de criação se inspirou no universo de Bispo do Rosário para preencher a encenação de referências ao inquieto artista. A empreitada foi bem sucedida. Os cenógrafos Matt Kinley (britânico) e David Harris (americano) forjaram uma poderosa estrutura metálica semicircular elevada a oito metros do piso. Uma passarela interliga quatro escadas em curva e serve para separar os ambientes reservados aos loucos e os restritos à chefia. O corpo do cenário é agasalhado por um tule pintado a mão pelo artista cênico Vincent Guilmoto, que buscou a caligrafia original do artesão sergipano. Até a passagem de navios – tema recorrente no repertório do artista – pelo palco faz alusão à sua obra.

Também os figurinos, de Cláudio Tovar, seguem o mesmo diapasão. As roupas ganharam cores, com destaque para o manto bordado do Governador, e os objetos cênicos foram compostos a partir de sucatas, outra de suas obsessões artísticas – o figurinista desenhou ainda jóias feitas de latas amassadas. A segura direção musical leva a assinatura de Carlos Bauzys, que adicionou ao conjunto de músicos dois violonistas especializados em melodia espanhola, ambos responsáveis pela execução de guitarras flamencas. Uma grata surpresa, levando-se em conta que, na Broadway, a montagem dispôs de uma orquestra sem instrumentos de cordas, com a exceção de um contrabaixo. Por fim, a coreografia de Kátia Barros influencia positivamente na fluência dos números e no bom ritmo da produção.

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Não é a primeira vez que o musical é levado no Brasil. Em 1972, a encenação paulista dirigida por Flávio Rangel, também tradutor ao lado de Paulo Pontes, contou com Chico Buarque e Ruy Guerra na versão das letras. Quem interpretou o herói problemático Dom Quixote foi Paulo Autran, que contracenou com Bibi Ferreira (Aldonza) e Grande Otello (Sancho Pança) – este substituiu Dante Rui na temporada carioca. Uma das maiores obras do teatro musical, desde sua estréia, em 1965, tem sido continuamente montada mundo afora. Não por acaso: o texto celebra um personagem que, observado pelo discurso e ideologia, de louco não tem nada.

(Vinicio Angelici – vinicioangelici@gmail.com)

(Foto João Caldas)

Avaliação: Ótimo

O Homem de La Mancha

Texto: Dale Wasserman

Músicas: Mitch Leigh

Letras: Joe Darion

Versão e Direção: Miguel Falabella

Elenco: Cleto Baccic, Sara Sarres, Kiara Sasso, Jorge Maya e outros.

Estreou: 13/09/2014

Teatro do Sesi
(Avenida Paulista, 1.313, Cerqueira César. Fone: 3146-7406).
Quarta a sexta, 21h;
Sábado, 17h e 21h;
Domingo, 19h.
Entrada gratuita.
Até 21 de dezembro.

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Prêmio Arte Qualidade 2014 – O Homem De La Mancha


premio arte qualidade 2014

Sempre coerente em seu objetivo de reconhecer o talento do artista brasileiro, a premiação artística e cultural passou por uma grande reformulação em 1999 com a introdução de novos critérios e seu atual modelo de indicação e resultado através de votação pública pela internet, somando prestigio e credibilidade para se tornar um dos importantes prêmios de reconhecimento artístico do país.

Em 2014, o musical “O Homem De La Mancha” concorre ao prêmio na categoria de “Melhor Espetáculo Teatral Musical“, por produção do “Atelier de Cultura“!

Clique na imagem abaixo para votar!

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Abby Leigh prestigia estréia de “O Homem de la Mancha”


abby leigh e cleto baccic man of la mancha

No último dia 10 de setembro, estreou no SESI São Paulo, o musical “O Homem de La Mancha” com produção do Atelier de Cultura, direção de Miguel Falabella, e que conta com Cleto Baccic, Sara Sarres e Jorge Maya no elenco.

Abby Leigh, esposa de Mitch Leigh, autor do original “Man Of La Mancha“, desembarcou em São Paulo para prestigiar a estréia da versão brasileira do musical! Abby disse que se emocionou bastante, já na abertura, quando a orquestra deu início a sessão.

“Foi fantástico! Fiquei bastante emocionada ao ouvir a orquestra tocando a abertura. Baccic é incrível como Dom Quixote e me deixou emocionada. Acho que ele poderia atuar na Broadway!”