Arquivo de setembro \15\UTC 2014

Abby Leigh prestigia estréia de “O Homem de la Mancha”


abby leigh e cleto baccic man of la mancha

No último dia 10 de setembro, estreou no SESI São Paulo, o musical “O Homem de La Mancha” com produção do Atelier de Cultura, direção de Miguel Falabella, e que conta com Cleto Baccic, Sara Sarres e Jorge Maya no elenco.

Abby Leigh, esposa de Mitch Leigh, autor do original “Man Of La Mancha“, desembarcou em São Paulo para prestigiar a estréia da versão brasileira do musical! Abby disse que se emocionou bastante, já na abertura, quando a orquestra deu início a sessão.

“Foi fantástico! Fiquei bastante emocionada ao ouvir a orquestra tocando a abertura. Baccic é incrível como Dom Quixote e me deixou emocionada. Acho que ele poderia atuar na Broadway!”

“O Homem de La Mancha” – O Estadão


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Um enorme barco voador, singrando as nuvens – essa imagem poética abre “O Homem de La Mancha”, musical dirigido por Miguel Falabella, que estreia dia 13 de setembro no Teatro do Centro Cultural Fiesp, com ingressos gratuitos.

“Esse momento tão singular simboliza minha admiração pelo Bispo do Rosário”, justifica o ator e diretor.

Encontrar o ponto em comum entre o musical que estreou na Broadway em 1965 e o trabalho do artista que passou 50 anos enclausurado em um manicômio no Rio de Janeiro foi o maior desafio enfrentado por Falabella:

“Quando fui convidado a dirigir a nova montagem brasileira, não me animei, pois não estava disposto a tratar da Inquisição Espanhola do século XV, período em que se passa o musical. Também assisti às duas montagens na Broadway há alguns anos, que não me incentivaram”.

No íntimo, porém, Falabella não estava totalmente convencido e, como continuava impactado sobre a exposição da obra de Artur Bispo do Rosário que acompanhara na Bienal de Veneza, o clique surgiu num instante:

“Eu queria que meu Quixote fosse brasileiro, assim a tênue fronteira entre a loucura e o sonho impossível encontra a inspiração ideal na história e na arte de Artur Bispo do Rosário.”

Assim, a caprichada versão de O Homem de La Mancha, produzida pelo Atelier de Cultura em parceria com o Sesi, Senai e Fiesp (o investimento total soma R$ 11 milhões, sem uso de lei de incentivo), traz a essência do original escrito por Dale Wasserman e com músicas de Mitch Leigh e Joe Darion, mas com um toque tipicamente brasileiro: em vez da Inquisição Espanhola, a história se passa em um manicômio brasileiro, no final dos anos 30. Para lá, é enviado um paciente que se apresenta como Miguel de Cervantes, poeta, ator de teatro e coletor de impostos.

Acompanhado por seu criado Sancho Pança, ele logo é abordado por uma figura intitulada Governador, por ser o comandante dos internos do hospital.

“Ele, na verdade, representa o Bispo do Rosário que, durante a sua clausura no manicômio Juliano Moreira, tinha a posse das chaves da colônia, ou seja, gozava de uma posição especial em relação aos outros doentes.”,

Falabella conta que orientou sua equipe de criação a se basear na obra do Bispo, uma das mais instigantes e interessantes da arte contemporânea, para delinear o espírito do espetáculo. O hall do Teatro Sesi também receberá uma exposição para o público descobrir a genialidade do Bispo.

o homem de la mancha caderno 2

Miguel Falabella une “Dom Quixote” a “Bispo do Rosário”


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Para montar a versão de “O Homem de La Mancha”, espetáculo que estreia sábado (13/09) no Teatro do Sesi-SP, o diretor Miguel Falabella foi buscar inspiração na história do artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário (1911-1989).

“Resolvi fazer o ‘Homem de La Mancha’ na Colônia Juliano Moreira, nos anos 1930, com toda a estética do Bispo do Rosário. Então vai ser toda uma experiência junto com o musical e isso vai ser muito legal.” 

Diagnosticado com esquizofrenia logo que chegou à Colônia, onde ficou por mais de 50 anos, Bispo do Rosário entendia ter uma missão: apresentar o mundo a Deus no dia do Juízo Final. Para isso, dedicou-se a produzir bordados, a mumificar objetos e a construir painéis abstratos com objetos do cotidiano. A obra do artista já foi exibida em dezenas de exposições no país, incluindo mostras em Nova York e Londres.

Para Falabella, o que há de melhor em atuar como diretor em teatro musical é justamente a possibilidade de fazer a sua leitura.

“Cada tem sua própria viagem. E quando bem feitas, elas chegam ao coração do público”

É o que ele faz na montagem que fica em cartaz até 21 de dezembro no Teatro Sesi-SP. Falabella faz referência a Bispo do Rosário para caracterizar o “Governador” – no texto original um preso da Inquisição que comanda os outros presos.

Na versão, ele comanda outros internos da Colônia Juliano Moreira no final dos anos 30, quando um novo paciente é anunciado para internação e apresenta-se como “Miguel de Cervantes”, poeta, ator de teatro e coletor de impostos, que chega acompanhado de seu criado, Sancho.

Ele é abordado pelo então “Governador”, que, com ajuda do grupo, ataca seus pertences e lhe subtraem suas poucas posses. Cervantes, no entanto, fica preocupado apenas com um manuscrito, que é arremessado entre eles.

Para dar a Cervantes a oportunidade de reaver o objeto, o “Governador “instala um julgamento. E para apresentar sua defesa, Cervantes convida os internos a encenar com ele uma peça de teatro.

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O “Homem de La Mancha” faz parte Projeto do Sesi-SP em Teatro Musical, que, além dos espetáculos como “A Madrinha Embriagada” (também dirigido por Miguel Falabella), abre oficinas de vivência e curso de formação de atores em Teatro Musical. As oficinas proporcionam acesso à linguagem do teatro musical para os alunos da rede Sesi-SP de ensino, complementando seu desenvolvimento cognitivo e motor. Já o curso, implantado em março de 2014, tem duração de três anos com a finalidade de formar atores para o mercado com aulas de canto, dança e interpretação.